SUBÚRBIO EM TRANSE: cineclube e resistência na pandemia, por Julia Levy (*)

No dia 15 de julho de 2021 apresentamos na 2ª edição do Festival do Conhecimento da UFRJ, a live do painel temático: SUBURBIO EM TRANSE: cineclube e resistência na pandemia, em comemoração aos quatorze anos de trabalho desse coletivo audiovisual carioca.  

Atuantes desde 2007, o tempo tem mostrado o quão diversa, complexa e importante é a produção do SUBURBIO EM TRANSE para a cultura e memória da cidade do Rio de Janeiro. Alma suburbana, Cine Vaz Lobo, Dez anos em transe, Queremos ficar em Madureira, Comida di pé sujo, Educação em chamas, 856 – A casa do poeta, No limite do horizonte, Roteiro de viagem, Catadoras de memórias são algumas das inúmeras obras cinematográficas (todas disponíveis no canal do Youtube: https://www.youtube.com/user/luclagranito) que junto com suas constantes sessões cineclubistas e realizações de eventos como a Mostra de Cinema Suburbano, sempre em parceria com realizadores culturais do subúrbio carioca como o Ponto Cine, Casa do Artista Independente – CASARTI, Lona Cultural de Vista Alegre, e tantos outros, expressam verdadeiramente o sentido da palavra “coletivo”, ou do “cinema de mutirão” como prefere definir o professor de geografia, mestre em Geografia pela UERJ, cineclubista, diretor, produtor, editor, fotógrafo e um dos seus idealizadores, Luiz Claudio Motta Lima.

Celebrando esses quatorze anos “em transe e em trânsito”[1], realizamos esse encontro virtual em formato de sessão cineclubista, no qual esteve no centro da conversa o prof. Luiz Claudio Motta Lima, contando também com a presença da professora da UERJ/FEBF Ana Paula Alves Ribeiro, coordenadora do Museu AfroDigital do Rio de Janeiro, estudiosa do trabalho do coletivo e do subúrbio carioca como um todo, dentre tantos outros assuntos que pesquisa; André Sandino, cineclubista, realizador, produtor e editor  audiovisual que acompanha e interage com as produções do grupo desde sua criação em 2007; Hellowa Corrêa, jornalista especialista em divulgação científica, cuja pesquisa acadêmica ressignifica o papel das mulheres negras nas ciências exatas, questionando padrões tradicionais da produção do conhecimento ao mesmo tempo em que valoriza produções que questionam e rompem com tais padrões, como é o caso da sofisticada obra cinematográfica do SUBÚRBIO EM TRANSE; com a mediação de Julia de Almeida Maciel Levy Tavares e apoio técnico de Gleyse Peiter.

O encontro exibiu, além de sua clássica vinheta apresentada no início de todas as sessões cineclubistas do coletivo, o curta-metragem Dez anos em transe (2017), assim como trechos dos filmes Alma suburbana (2008), primeiro filme realizado pelo grupo em conjunto com estudantes do Núcleo de Arte Grécia da Escola Municipal Grécia, e trechos dos filmes: Queremos ficar em Madureira (2019), Educação em chamas (2014), 856 – A casa do poeta (2012).

Foram debatidos diversos temas sobre as realizações do grupo: as circunstâncias da sua formação na primeira década dos anos 2000, momento no qual o movimento cineclubista fervilhava no Brasil; a realização dos filmes (alguns ainda em produção) que discutem as transformações urbanas das últimas décadas da cidade do Rio de Janeiro e denunciam as remoções que o progresso imposto pelos jogos olímpicos impuseram aos moradores de muitos bairros do subúrbio, guardando, dessa forma, a memória humana e urbana de parte importante da cidade; a relação do coletivo com personagens ilustres e anônimos do subúrbio retratados em diversas obras e participantes de suas sessões; a diversidade cultural dos diferentes bairros e localidades suburbanas; a forma peculiar de produção do coletivo, o “cinema de mutirão”, e o questionamento de padrões impostos por um audiovisual hegemônico; e, por fim, os impactos da pandemia nas atividades do grupo e como estão conseguindo resistir e se reinventar.

O video completo com o painel SUBURBIO EM TRANSE: cineclube e resistência na pandemia pode ser visualizado através do link: https://youtu.be/vPUa-zxAn7M.

A proposta do evento está ligada às atividades extensionistas da Oficina de Poesia e Crítica Social e ao Laboratório de Estudos Marxistas (LEMA), espaços onde estudantes de graduação, pós-graduação, docentes e participantes da sociedade civil dialogam, interagem e ressignificam a produção de conhecimento a partir de atividades variadas, ampliando a diversidade de assuntos e métodos de pesquisa e estudos.

(*) – Julia de Almeida Maciel Levy Tavares é economista, pesquisadora, participante do Laboratório de Estudos Marxistas da UFRJ, crítica de cinema integrante do Elviras – Coletivo de mulheres críticas de cinema, e mestranda do programa de pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia (HCTE/UFRJ) onde realiza um estudo interdisciplinar sobre o audiovisual brasileiro e suas relações sociais, culturais e econômicas.


[1] RIBEIRO, Ana Paula Alves. Subúrbio em Transe e em trânsito. In: Mostra Subúrbio em Transe, Festival Visões Periféricas, Rio de Janeiro: 2019. O texto pode ser acessado através do link:

https://www.academia.edu/40505271/Sub%C3%BArbio_em_Transe_e_em_tr%C3%A2nsito

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